• Sandra Carvalho

Vida sob pressão: as abelhas da Grande São Paulo

As abelhas acumulam metais tóxicos do trânsito pesado e da poluição industrial da região.


Abelha jataí
Abelha jataí em ação | Foto: cc Letícia Smania Donanzan/Flickr

Metais tóxicos como mercúrio, chumbo e cádmio se depositam no corpo das abelhas, e mostram o impacto da poluição que as cerca.


Pesquisadores da USP de Ribeirão Preto, Unesp de Rio Claro e PUC do Chile estudaram as abelhas jataí (Tetragonisca angustula) do Corredor Ecológico Cantareira-Mantiqueira, e chegaram a resultados intrigantes.


Esse corredor tem 30 mil hectares de áreas protegidas, reunindo os parques Itaberaba, Itapetinga, Floresta Estadual de Guarulhos e o Monumento Natural Estadual da Pedra Grande.


Os pesquisadores se concentraram na região metropolitana de São Paulo, focando no que sobrou por ali da Mata Atlântica. O estudo foi publicado em Ecotoxicology and Environmental Safety.


A conclusão da pesquisa: a vegetação nativa protege as abelhas jataí contra certos metais tóxicos da poluição gerada pelas indústrias e pelo trânsito urbano (material particulado dos sistemas de exaustão dos veículos, pneus gastos, superfícies detonadas das ruas e estradas etc). Mas não consegue proteger contra todos os metais tóxicos.


“A jataí é uma das dezenas de espécies de abelhas sem ferrão existentes na Mata Atlântica. Todas elas estão ameaçadas pelas atividades humanas que ocorrem ao redor desse corredor ecológico situado muito próximo de São Paulo e, portanto, potencialmente exposto também à emissão de poluentes gerados na cidade”, observou Maria Fernanda Hornos Carneiro, professora da #PUCdoChile, coordenadora do estudo, à Agência Fapesp.


Foram medidos 21 elementos químicos acumulados no corpo das abelhas.


Nos trechos de mata nativa, as concentrações de #mercúrio, #cádmio e #cromo foram menores que as referências dos pesquisadores. Mas os níveis de #chumbo, #alumínio e #arsênio foram maiores.


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