• Sandra Carvalho

Violência obstétrica, rótulo contra abusos

Os problemas vão de piadinhas desrespeitosas a cesarianas desnecessárias.


Gravidez e parto: momentos cruciais | Foto: cc0 Suhyeon Choi/Unsplash

Quando se fala em violência contra a mulher, cada vez mais aparece o termo violência obstétrica.


A razão: na hora do parto, quando as mulheres ficam particularmente vulneráveis, nem sempre recebem um atendimento decente. Sofrem abusos. Isso vale para boa parte do mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, a OMS.


Entre os abusos, há muita cesariana desnecessária, insultos disfarçados de piadinhas amigáveis, recusa de analgésicos, proibição de acompanhantes, cuidado negligente que resulta em complicações evitáveis e até a recusa de alguns hospitais em atender grávidas na iminência de dar à luz.


Há também a prática de métodos obsoletos durante o parto, como a arriscada manobra de Kristeller (pressão na parte superior do útero) e o recurso rotineiro e desnecessário à episiotomia (corte entre a vagina e o ânus).


Mais: há igualmente procedimentos médicos não consentidos, como a esterilização de mulheres carentes.


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De acordo com a OMS, as adolescentes, mulheres solteiras, as mais pobres, de minorias étnicas, migrantes e as que vivem com HIV são particularmente propensas a experimentar abusos, desrespeito e maus-tratos.


O termo violência obstétrica serve para designar todos esses problemas e a tendência de naturalizar e trivializar sua ocorrência.


É um termo que várias associações de médicos combatem, mas é muito popular com ONGs na área da saúde, publicações científicas e grupos feministas.


O Ministério da Saúde usava a palavra violência obstétrica até maio de 2019, quando deu uma guinada e decidiu vetar seu uso.


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