• Sandra Carvalho

Vitamina D, um escudo contra o novo coronavírus

É o que sugerem dois estudos ligados ao médico Michael Holick, da Universidade de Boston.


Novo coronavírus: ajudado pela deficiência da vitamina D | Foto: cc 3.0 Yuri Samoilov/Flickr

A vitamina D, a vitamina do sol, é um poderoso aliado contra o novo coronavírus - tanto diminui o risco de pegar Covid-19 quanto ajuda a evitar riscos de complicações para quem já foi infectado.


Pelo menos é o que diz Michael Holick, professor de Medicina, Fisiologia, Biofísica e Medicina Molecular da Universidade de Boston (BU), em dois novos estudos. E ele não está sozinho: outras pesquisas americanas publicadas nos últimos meses seguem na mesma linha.


Holick está para a vitamina D assim como Linus Pauling estava para a vitamina C. É um defensor sem disfarces da vitamina, envolvido em várias controvérsias - mas sem os prêmios Nobel que Pauling levou para casa.


Num primeiro estudo, Holick e pesquisadores da Quest Diagnostics examinaram dados do laboratório de 190 mil americanos de 50 estados.


Constataram que as pessoas com deficiência de vitamina D tinham 54% mais Covid-19 que as pessoas com suficiência de vitamina D. Sugeriram que tomar um suplemento da vitamina poderia reduzir os riscos tanto de infecção pelo vírus quanto da doença.


O estudo foi publicado no jornal PLOS ONE, com revisão de pares. "Quanto mais alto seu status de vitamina D, mais baixo seu risco", garantiu Holick ao jornal Boston Herald. "É perfeitamente seguro."


Holick considera que um adulto precisa de 2.000 unidades de vitamina D por dia. Ele próprio toma sua dose diária de 6.000 unidades há décadas, e se diz com ótima saúde.


Pesquisa no Irã


Num segundo estudo, também publicado no PLOS ONE com revisão de pares, Holick trabalhou com uma equipe de médicos da Universidade de Ciências Médicas de Teerã, no Irã.


Eles acompanharam 235 pacientes de Covid-19 do Hospital Sina de Teerã, e notaram o papel positivo exercido pela vitamina D.


"Nosso estudo apresenta evidência direta de que a suficiência de vitamina D pode reduzir complicações, inclusive a tempestade de citocinas e, em última análise, a morte", afirmou Holick num comunicado da BU.


Para contar com esses benefícios, é preciso ter um bom nível de vitamina D no sangue - pelo menos 30 ng/mL (nanogramas por mililitro).


Entre os pacientes com mais de 40 anos de idade com vitamina D suficiente do Hospital Sina, o estudo registrou um risco de morrer de Covid-19 51,5% menor do que entre os que sofriam de deficiência da vitamina.


Embora sem o ativismo de Holick, outros estudos americanos têm apontado uma correlação entre deficiência de vitamina D, contaminação pelo SARS-CoV-2, casos graves de Covid e morte.


Estudos em Illinois


Uma equipe de cientistas da Universidade Northwestern, de Evanston, Illinois, analisou dados de hospitais e clínicas de 10 países (China, França, Alemanha, Itália, Coreia do Sul, Espanha, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos).


Os pesquisadores da Northwestern observaram que os países com taxa mais alta de mortalidade, como Itália, Espanha e Reino Unido, tinham níveis de vitamina D mais baixos que países que não foram atingidos tão brutalmente.


O estudo da Northwestern foi publicado em maio no preprint medRxiv, e traça uma correlação forte entre deficiência de vitamina D e morte de doentes com Covid-19, sobretudo pela tempestade de citocinas.


A vitamina D fortalece nosso sistema imunológico, mas não só isso - também previne que ele se torne perigosamente hiperativo, como na tempestade de citocinas.


"A tempestade de citocinas pode danificar gravemente os pulmões e levar à síndrome do desconforto respiratório agudo e à morte dos pacientes", comentou Ali Danneshkhan, primeiro autor do estudo.


"Isso é o que parece matar a maioria dos pacientes com Covid-19, não a destruição dos pulmões pelo vírus em si", observou. "São as complicações do fogo mal direcionado do sistema imunológico."


Os pesquisadores da Northwestern concluíram que ter níveis saudáveis de vitamina D poderia proteger os pacientes de complicações graves de Covid e até da morte, podendo cortar a taxa de mortalidade até pela metade.


Num outro estudo, desta vez da Faculdade de Medicina da Universidade de Chicago, os cientistas constataram uma associação entre a deficiência de vitamina D e a infecção pelo novo coronavírus.


Essa pesquisa analisou 489 pacientes da Medicina da UChicago cujos níveis de vitamina D tinham sido medidos no prazo de um ano antes de serem testados para Covid-19.


Pacientes com deficiência da vitamina (menos de 20 ng/mL) que não receberam tratamento para esse problema tiveram probabilidade duas vezes maior de contrair o novo coronavírus do que as pessoas que tinham suficiência de vitamina D.


O estudo foi publicado agora no começo de setembro no jornal JAMA Network Open.


Metade dos americanos tem deficiência de vitamina D, de acordo com os pesquisadores da UChicago, com as maiores taxas de deficiência entre negros e latinos, justamente os mais atingidos proporcionalmente pelo novo coronavírus.


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