• Sandra Carvalho

Viu a nova rãzinha kayapo, que vive na Amazônia?

Ela acaba de ser batizada por pesquisadores brasileiros, junto com outras 5 rãs minúsculas.


Rã kayapo: minúscula, como as outras espécies | Foto: Thiago Ribeiro de Carvalho

Seis espécies novas de rãs diminutas, de cerca de dois centímetros em média, foram identificadas e batizadas por um grupo de pesquisadores brasileiros na Amazônia. Todas são do gênero Adenomera.


As rãzinhas desse gênero são muito parecidas umas com as outras, difíceis de distinguir com base no olhar. Para ter certeza, os cientistas costumam recorrer a sequências de DNA. Até o ano 2000, apenas seis espécies de Adenomera eram conhecidas. Agora, já passam de 20.


As seis novas espécies foram identificadas pelo DNA e por dados acústicos. O estudo foi publicado no Zoological Journal, assinado por 12 pesquisadores de diversas universidades.


Hoje em dia as espécies de rãzinhas estão separadas fisicamente pelos rios da Amazônia, mas isso não quer dizer que se diversificaram por causa deles.


Segundo o biólogo Thiago Ribeiro de Carvalho, da Unesp, o principal autor do estudo, a diversificação das rãs é mais recente que a formação do sistema hidrológico da bacia do Amazonas, aproximadamente 10 milhões de anos atrás.


Uma das novas rãzinhas foi batizada com uma homenagem aos povos indígenas caiapós, por viver em áreas em que eles habitam ou habitaram no passado, na região de Marabá, Amazônia Oriental: é a Adenomera kayapo.


Três das novas espécies foram encontradas na região do rio Tapajós: tapajonica, aurantiaca e inopinata.


O nome Adenomera tapajonica é, obviamente, um tributo ao rio. Adenomera aurantiaca é uma referência aos braços e pernas alaranjados da rã (aurantiaca vem de alaranjado em grego). Adenomera inopinata, a descoberta mais rara, com base num único exemplar, remete a inesperado em latim.


As rãzinhas foram sendo descobertas ao longo do tempo. A Adenomara amicorum faz um agradecimento ao grupo de pesquisadores que a encontrou na região de Santarém no início dos anos 2.000.


Por fim, o nome Adenomera gridipappi é uma menção a um pesquisador brasileiro de sobrenome húngaro, Marcos Gridi-Papp, que hoje trabalha na Califórnia.


Nesse vídeo da Fapesp, você vê o canto das rãzinhas, as imagens das seis espécies e ouve o biólogo Thiago Ribeiro de Carvalho narrar como foram as descobertas.



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