• Sandra Carvalho

Viu como o esperma realmente nada?

Três cientistas derrubam uma ilusão de ótica que durou mais de 3 séculos.


Esperma: ele se movimenta criando simetria da assimetria | Imagem: cc0 Marian Anbu Juwan/Pixabay

O cientista holandês Antonie van Leeuwenhoek, o pai da microbiologia, descreveu o movimento do esperma humano mais de 300 anos atrás. Para ele, o esperma se movimentava como uma cobra ou uma enguia nadando.


Pura ilusão de ótica, dizem o cientista Hermes Gadelha, da Universidade de Bristol (Bristol Uni), na Inglaterra, e seus colegas mexicanos Gabriel Corkidi e Alberto Darszon, da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).


O estudo foi publicado no jornal Science Advances.


Os cientistas usaram microscopia 3D e muita matemática para reconstruir o movimento real da cauda de espermatozoides. Utilizaram uma câmera de alta velocidade capaz de gravar mais de 55 mil frames por segundo.


Constataram que o esperma é instável e se mexe apenas de um lado, em vez se movimentar simetricamente dos dois lados, como uma enguia, da forma que Leeuwenhoek sugeria.


Como então o esperma não nada eternamente em círculos, em vez de ir para frente?


"O esperma humano descobriu que se ele rola enquanto nada, da mesma forma que lontras brincalhonas girando na água como saca-rolhas, seu movimento unilateral chegaria a uma mediana e ele nadaria para frente", explica Gadelha, um especialista em Matemática da Fertilidade.


Segundo o estudo, os giros rápidos e altamente sincronizados dos espermatozoides, vistos em microscópios 2D, causam uma ilusão ótica: a de que a cauda tem um movimento simétrico.


"Os espermatozoides desenvolveram uma técnica de natação para compensar seu desequilíbrio", observa Gadelha. "Com isso, resolveram engenhosamente um quebra-cabeça matemático em escala microscópica, criando simetria a partir da assimetria."


De acordo o estudo, entender melhor a cauda do esperma humano pode ajudar na solução de problemas de infertilidade, já que mais da metade deles tem origem em fatores masculinos.


Esse vídeo de 1 minuto da Universidade de Bristol mostra o movimento rotatório do esperma:



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