• Sandra Carvalho

Você aprende mais rápido quando escreve à mão

Pelo menos quando se trata de certas habilidades, como aprender uma língua nova.


Anotando à mão
Anotando à mão: aprendizado mais rápido | Foto: cc0 Startaê/Unsplash

A batalha entre a escrita a mão e os computadores está virtualmente acabada - os computadores venceram. Mas escrever à mão tem méritos imbatíveis: ajuda a aprender algumas coisas mais rápido e melhor que digitar num notebook ou assistir a um vídeo.


Não são ludditas que dizem isso - são professores de Ciência Cognitiva da Universidade Johns Hopkins (#JHU), de Baltimore, Maryland, Estados Unidos. Anotar à mão ajuda particularmente a melhorar habilidades em leitura e compreensão de texto e dominar #línguas novas.


Obviamente, a superioridade da escrita à mão nada tem a ver com o domínio da caligrafia, com uma letra mais bonita ou mais clara.


Os pesquisadores da Johns Hopkins fizeram um experimento com 42 pessoas para ver quem aprenderia melhor o alfabeto árabe: as pessoas que anotavam à mão, as que digitavam e as que simplesmente assistiam a vídeos.


Todo mundo aprendeu as letras uma a uma assistindo a vídeos que mostravam as letras sendo escritas enquanto se escutava seu nome e seu som.


Houve em seguida um reforço. O grupo de vídeo viu na tela uma letra rapidamente e teve de dizer se era a mesma letra que tinha acabado de olhar. Quem digitava teve de achar a letra no teclado. E a turma da escrita à mão teve de copiar a letra com caneta num papel.


Todos aprenderam as letras depois de seis sessões, fazendo poucos erros em testes. Mas o grupo da escrita à mão chegou a um nível de proficiência mais rápido. Algumas pessoas aprenderam as letras em apenas duas lições.


Quem aprendeu as letras árabes copiando-as no papel também aprendeu melhor a escrever com elas, soletrar palavras novas e a ler palavras desconhecidas.


Segundo a pesquisa, isso acontece porque a caligrafia reforça as lições visuais e auditivas, numa experiência de percepção e movimento que unifica o que está sendo aprendido.


O estudo foi publicado em Psychological Science.