• Sandra Carvalho

Você engole a pílula, e um sensor vai junto

Na era da Medicina digital, o remédio trata o paciente e transmite dados para os médicos.


Psicotrópico MyCite: sensor embedado | Foto: Proteus Health Service

A primeira pílula digital do mundo está liberada. É o psicotrópico Abilify MyCite, que tem um sensor embedado para informar se o remédio foi tomado e a que horas.


Os dados podem ser comunicados às pessoas da família e/ou da equipe médica que cuida do paciente, com a autorização dele.


A Abilify MyCite é um remédio contra esquizofrenia, desordem bipolar, episódios maníacos e depressão grave, fabricado pela companhia japonesa Otsuka, de Tóquio.


O sistema de rastreamento digital foi desenvolvido pela companhia americana Proteus Digital Health, pioneira em Medicina Digital.


O remédio vai para as farmácias no ano que vem, num lançamento limitado a pacientes de certos planos de saúde. A FDA, a agência que regula remédios nos Estados Unidos, deu o sinal verde para a pilula digital ontem.


O Abilify é um medicamento bastante prescrito para esquizofrenia desde 2002.


O sistema de rastreamento digital começa com o sensor do tamanho de um grão de areia embedado na pílula. O sensor é feito de ingredientes encontrados em alimentos comuns.


Quando o paciente toma a pílula e ela entra em contato com os fluidos do estômago, o sensor é ativado e se comunica com o MyCite Patch, sensor wearable, que você vê na imagem abaixo.


No estômago, o sensor é ativado | Foto: Proteus Health Service

Para que o sistema funcione, o patch precisa ser usado o tempo todo e substituído a cada sete dias.


O MyCite Patch entra em contato por Bluetooth com o MyCite App, que registra o remédio tomado e outros dados gerais de saúde, como nível de atividade.


O MyCyte não registra a ingestão do remédio em tempo real - leva de meia hora a duas horas, segundo a Otsuka e a Proteus. Pode até falhar, segundo alerta a FDA.


O app pode passar esses dados para a família do doente e para o consultório de seu médico, se autorizado pelo paciente. É nesse ponto que a questão da privacidade se torna inevitável.

É o Big Brother da Medicina ganhando músculos, com o rastreamento dos remédios e dos pacientes ?


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