• Sandra Carvalho

Voos terão mais turbulências severas por causa da mudança de clima

As turbulências mais fortes vão aumentar 60% na América do Sul.


No ar: mais instabilidades, principalmente no Atlântico Norte e na Europa  |  Foto: cc0 Austin Neill/Unsplash

Turbulência severa não é qualquer sacudida durante um voo - é forte o suficiente para jogar pessoas e bagagens pelo avião. E é exatamente esse tipo de turbulência que vai aumentar muito globalmente por volta de 2050-2080.


Os maiores aumentos de turbulência devem acontecer nos destinos internacionais mais procurados atualmente. As previsões são de que cresçam 180% sobre o Atlântico Norte, 160% sobre a Europa, 110% sobre a América do Norte, 90% sobre o Pacífico e 60% sobre a Ásia.


Céus menos congestionados terão aumentos menores no geral. Na América do Sul, as turbulências severas devem subir 60%, na Austrália 50% e na África 50% também.


Essas previsões são de um novo estudo publicado no jornal Geophysical Research Letters por cientistas das universidades de East Anglia (UEA) e Reading, na Inglaterra.


"As turbulências aéreas estão aumentando ao redor do mundo, em todas as estações e em múltiplas velocidades de cruzeiro, e o problema só vai piorar com a mudança de clima", observou Paul Williams, professor da Universidade Reading, um dos autores do estudo, num comunicado da União Americana de Geofísica.


"Embora a turbulência não represente um perigo grande para os voos, é responsável por centenas de ferimentos de passageiros todos os anos", comentou Luke Storer, pesquisador de Reading, outro dos autores do estudo. "Além disso, é a causa mais comum de ferimentos sérios de comissários de bordo."


O estudo analisou simulações de supercomputadores na atmosfera do futuro com foco nas turbulências de céu claro, que são particularmente traiçoeiras porque são invisíveis.


Segundo a pesquisa, o aumento das turbulências esperado é uma consequência das mudanças da temperatura global porque elas levam a um fortalecimento das instabilidades do vento em altas altitudes no percurso dos jatos e à criação de bolsões de ar turbulento mais fortes e mais frequentes.


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