• Sandra Carvalho

Wuhan respira de novo, depois de nocautear o coronavírus

A cidade, de 11 milhões de habitantes, se prepara para voltar lentamente à vida normal.


Poster do wistleblower Li Wenliang: reabilitação depois da morte | Imagem: cc0 Adi Wahid/Unsplash

A cidade chinesa de Wuhan, o marco zero da pandemia do novo coronavírus, ainda vai levar um bom tempo para recuperar a rotina de sempre. Mas tudo indica que está pronta para deixar para trás a mais radical quarentena da era contemporânea.


Na quarta-feira, dia 18, Wuhan não registrou um único caso novo de Covid-19, após semanas e semanas com milhares de casos todos os dias. A queda foi gradativa, concomitante com medidas draconianas de isolamento e vigilância da população e um esforço sobre-humano de médicos, enfermeiros e voluntários no combate à doença.


Depois de ignorar inicialmente o surto e abafar as primeiras informações sobre ele, o Partido Comunista jogou todo seu peso na luta contra o vírus. Na China, isso quer dizer muito: partido, governo e estado são praticamente uma coisa só, onipresente e dominante.


Quando tudo parecia perdido, pois a epidemia se espalhava descontroladamente, começou a reação. Toda a província de Hubei, onde fica Wuhan e vivem quase 60 milhões de pessoas, entrou em quarentena.


Aos poucos, o atendimento médico, caótico nas primeiras semanas - faltavam leitos nos hospitais, acessórios de proteção e estrutura para milhares de testes - foi melhorando.


O governo chinês enviou mais de 42 mil profissionais da área médica para Hubei, sobretudo para Wuhan, montou 14 hospitais de campanha na cidade e construiu lá dois hospitais grandes pré-fabricados, em questão de dias.


Nas semanas que se seguiram, o controle do comportamento das pessoas foi meticulosamente implementado por comitês de bairro, com proibições de praticamente tudo - de casamento e funerais a jogos de carta e majong, para evitar novos contágios.


Foi uma batalha épica, com o novo coronavírus recuando aos poucos. Em Hubei, 3.130 pessoas perderam a vida até o dia 18. Mais doentes, internados em hospitais em estado crítico, ainda estão morrendo, mas agora os números de vítimas fatais são muito mais modestos.


Na quarta-feira, os mortos foram oito em Hubei. Nos piores dias da pandemia na província, eles passavam de 200, a grande maioria em Wuhan.


Com a situação sob controle, os hospitais de campanha da cidade foram desmontados, porque não são mais necessários. O pessoal médico enviado para socorro também já deixou a cidade, na grande maioria.


Agora a volta ao trabalho já está sendo planejada, para que as perdas econômicas com a pandemia não se aprofundem.


Hoje, dia 19, o governo chinês comunicou que o oftalmologista Li Wenliang, um dos oito wistleblowers que alertaram precocemente para o surto de coronavírus e foram perseguidos pela polícia, foi inteiramente reabilitado. Ele morreu com coronavírus, contraído no Hospital Central de Wuhan, onde trabalhava.


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